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Lições da pandemia 8: É preciso não aumentar os nomes dos mortos

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Ontem morreram novamente mais de 3.000 pessoas por Covid-19. Entre elas, está o comediante Paulo Gustavo, aos 42 anos de idade. Um ator de trajetória meteórica, que conquistou todos pelo riso, com seus personagens engraçados tirados de sua própria vida, além de sua principal personagem, Dona Hermínia, inspirada em sua mãe, Déa Lúcia, que acompanhava o filho em tudo o que ele fazia. Ele se casou, teve filhos, cercou-se de amor por todos os lados, e fazia todos felizes.  Quem poderia imaginar depois de vê-lo se despedir de 2020, cheio de esperança de voltar aos teatros e atuar em público, que, em 13 de março de 2021, ele seria hospitalizado com Covid e que morreria quase dois meses depois?  Quem poderia imaginar que estaríamos hoje com 412 mil mortos, depois de quase 1 ano e 2 meses do início da pandemia em 13 de março de 2020?  Há sinais em tudo o que fazemos. Para o bem e para o mal. Se tudo está dito e previsto, estamos vivendo um ensaio em cena aberta, pois só nós não c...

Lições da pandemia 7: 300 mil mortes, 100 mil casos e 3.650 mortos num dia

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Precisamos parar de brincar com a morte. Ela nunca brinca. Precisamos entender que a pandemia é uma guerra contra um inimigo invisível. Ano passado, eu fui à feira comprar legumes e fui infectada. Assim, do nada. Mesmo com máscara e gel em mãos.  Muitos amigos, parentes, vizinhos, pais e mães morreram. 303 mil mortes em um ano. 100 mil casos e 3.650 mortes num dia. Não há mais lugar para internações. É preciso arregaçar as mangas para vacinar, distribuir máscaras, limpar as mãos e evitar aglomerações. Não é hora de festas nem de desdenhar os riscos. Há um ano em casa, eu sei o que isso quer dizer.  Depois de seis meses, adoeci e foi difícil me livrar dos sintomas pós-Covid. Até a respiração foi afetada. E minha contaminação foi baixa, tanto que, da primeira vez que fui ao hospital fazer um ressonância magnética, o médico disse que o pulmão estava limpo. Da segunda vez, não houve ressonância, mas eu tinha dificuldade para respirar, o pulmão doía se eu me mexesse muito rápido, s...

Lições da pandemia 6: "Eu não tenho nada a ver com isso"

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São 2.008.273 mortes no mundo e 208.246 no Brasil, e "le président" ainda tem coragem de dizer que não tem "nada a ver com isso". Por acaso ele mora nas Bahamas? Ou nas Ilhas Seicheles? O jornal está cheio de notícias contraditórias e aberrantes sobre quem disse o quê ou fez o quê. Em Manaus, falta oxigênio e o governo aumentou o imposto sobre a importação dos cilindros de oxigênio duas semanas antes da crise. O governo brasileiro deveria ser o primeiro a arregaçar as mangas num esforço hercúleo para combater a Covid-19 fazendo tudo o que fosse possível para que cada um tivesse o atendimento, a medicação e o oxigênio que merece. É uma pandemia. Não é o Cordão do Bola Preta. Mas, não. As hordas políticas só pensam em quem vai suceder o Maia e o Alcolumbre, na Câmara e no Senado, que já tiveram Covid e saíram ilesos. A OMS alerta sobre Manaus: "É preciso aceitar responsabilidade por perda de controle". Mas não só em Manaus. Vamos fazer um ano do início das i...

Lições da pandemia 5: Mais de 200 mil mortos e a vacina no Dia da Epifania

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Mais cinco meses se passaram e chegamos a 200 mil mortos. Eram 100 mil em agosto, a partir de março de 2020. Quase 2 milhões de mortes no mundo, 4.000 mortes nos EUA em 24 horas, 1.524 no Brasil. Mais de 40 países já estão se vacinando, e o Brasil chegou, no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, à vacina do Butantã, que pedirá autorização emergencial à Anvisa. Enquanto o presidente não sabe se é isso mesmo, os órgãos de saúde imploram que o Brasil saia da rabeira da vacinação no mundo. Já fomos exemplo de mobilização para vacinação contra a pólio. Sabin, casado com uma brasileira, acreditou nos voluntários para espalhar a vacina antipólio em todo o território nacional e a doença foi erradicada no Brasil.  Temos um histórico ruim contra vacinas. A Revolta da Vacina, quando houve o combate à febre amarela espalhada pelos mosquitos e a peste bubônica, pelos ratos, mostrou o quanto os brasileiros temiam a vacina. Cem anos depois, ainda temos uma resistência irracional em relação à vacina...

Lições da pandemia 4: Ser ou não ser - quem é você

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Começamos o ano como outro qualquer. Ao terceiro mês do primeiro semestre, descobrimos que tínhamos sido roubados. Perdemos a liberdade de ir e vir, de nos reunir, de viajar, de sair e passear. Esperamos, inutilmente, que houvesse uma saída, uma explicação, uma mudança de cenário.  Em agosto, descobrimos que não. Chegamos a 100 mil mortes sem que nada mudasse. Passou o primeiro semestre sem podermos sair de casa, porque as mortes continuavam aumentando. E daí aconteceu o inexplicável.  Não sei em que momento os cariocas decretaram o fim da quarentena, do confinamento e da pandemia. Para eles, não tinha dia ruim. Foram todos para as praias, os bares e encheram as ruas. Quem continuava em casa não entendeu. Mas eles diziam que tinham que voltar à vida normal. Tá bom. De máscara.  Só que não. Chegamos ao fim do ano com quase 200 mil mortos. Em quatro meses, quase dobrou. Vamos começar o ano de 2021 com esse número nos dando as boas-vindas. Não esqueço que outras doenças tamb...

Lições da pandemia 3: 2020, o ano em que ficamos em casa

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Quando 2020 começou, eu queria que tudo fosse como no oculista: 20/20. Cheguei a desejar isso para os amigos de Facebook. Em março, tudo descambou e não podíamos mais sair de casa. Todos os planos foram adiados e passamos a curtir uma quarentena. Quarenta dias depois, vimos que ela teria de continuar por mais 40 dias. Em junho, minha prima me disse que eu saísse de casa, e não tivesse medo. Foi o que todo mundo fez. O confinamento estava cancelado. Todos voltaram às praias e aos bares, às muretas da Urca, e a vida seguiu como se não tivesse amanhã. Eu fiquei seis meses confinada. Saía uma vez só por mês para pintar o cabelo e só. Os cabeleireiros estavam fechados, então a cabeleireira atendia uma a uma as suas clientes para não perder a freguesia. Em setembro, achando que já poderia circular um pouco, fui à feira e lá a Covid me pegou e tudo virou de cabeça pra baixo.  Doente não tem bom senso. Perde todas as estribeiras. Não fui internada, mas fiquei um bocado zangada por ter cont...

Lições da pandemia 2: Quando a Covid-19 atacou

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Abro o jornal todos os dias à procura de notícias que amainem a ansiedade que desde o início do ano nos consome. Em 13 de março, começamos uma quarentena que se estende há nove meses. Durante seis meses não saí de casa para nada. Iam à rua por mim, para trazer comida, buscar o que quer que fosse que precisássemos. Seis meses depois, achei que poderia também ir à rua, uma vez que já havíamos aprendido os códigos de proteção, máscara, álcool gel, álcool líquido 70% para pulverizar depois que voltássemos para casa. E o que aconteceu? Covid.  Quinze dias depois de ir à feira buscar frango, legumes e frutas e rever os amigos feirantes, passei o dia sentindo uma dor no corpo que só aumentava. Pensei até que fosse o sutiã me apertando demais e soltei a parte de trás. O tempo foi passando e a dor aumentando. À meia-noite, eu urrava de dor, nas costas, nos braços, no peito, nas pernas, e mal conseguia me mexer. Parecia que estava sendo esmigalhada, prensada por mãos enormes. Tive ânsia de v...