Lições da pandemia 7: 300 mil mortes, 100 mil casos e 3.650 mortos num dia
Precisamos parar de brincar com a morte. Ela nunca brinca. Precisamos entender que a pandemia é uma guerra contra um inimigo invisível. Ano passado, eu fui à feira comprar legumes e fui infectada. Assim, do nada. Mesmo com máscara e gel em mãos.
Muitos amigos, parentes, vizinhos, pais e mães morreram. 303 mil mortes em um ano. 100 mil casos e 3.650 mortes num dia. Não há mais lugar para internações. É preciso arregaçar as mangas para vacinar, distribuir máscaras, limpar as mãos e evitar aglomerações. Não é hora de festas nem de desdenhar os riscos. Há um ano em casa, eu sei o que isso quer dizer.
Depois de seis meses, adoeci e foi difícil me livrar dos sintomas pós-Covid. Até a respiração foi afetada. E minha contaminação foi baixa, tanto que, da primeira vez que fui ao hospital fazer um ressonância magnética, o médico disse que o pulmão estava limpo. Da segunda vez, não houve ressonância, mas eu tinha dificuldade para respirar, o pulmão doía se eu me mexesse muito rápido, se tentasse arrumar a cama ou pendurar roupa.
Covid-19 mata. Não é gripe, não é resfriado, é um agente letal que pode causar vários transtornos após a contaminação, desde infarto, a embolia pulmonar e mais um sem-número de doenças, cuja lista não para de crescer.
A dor que senti eu lembro até hoje. É uma melhora muito lenta. A conta-gotas. E continuo em casa. Trabalhando menos, mas em casa. Pela primeira vez em 20 anos, limpei a mesa, não surgiram novos livros, então estou fazendo aqueles que não tive tempo de fazer antes. As pessoas estão receosas, com medo, apavoradas. No fundo, não sabem o que fazer. Continuar exige coragem.
Exige coragem seguir em frente, planejar, organizar-se, fazer o essencial, o mínimo, o melhor, o máximo que der. Exige coragem ter paciência. Resiliência. Astúcia. Ponderação. Exige raciocínio.
"O máximo de amor cabe em suas mínimas possibilidades". Onde se precisa de amor, cabe o amor. Um olhar pode mudar uma vida. Um carinho, um gesto, uma palavra, um pouco de atenção. Atenção é amor. E assim não nos sentiremos sozinhos.
26 de março de 2021 - 1 ano e 13 dias de pandemia (2020/2021)

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