Lições da pandemia 5: Mais de 200 mil mortos e a vacina no Dia da Epifania

Mais cinco meses se passaram e chegamos a 200 mil mortos. Eram 100 mil em agosto, a partir de março de 2020. Quase 2 milhões de mortes no mundo, 4.000 mortes nos EUA em 24 horas, 1.524 no Brasil. Mais de 40 países já estão se vacinando, e o Brasil chegou, no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, à vacina do Butantã, que pedirá autorização emergencial à Anvisa. Enquanto o presidente não sabe se é isso mesmo, os órgãos de saúde imploram que o Brasil saia da rabeira da vacinação no mundo.

Já fomos exemplo de mobilização para vacinação contra a pólio. Sabin, casado com uma brasileira, acreditou nos voluntários para espalhar a vacina antipólio em todo o território nacional e a doença foi erradicada no Brasil. 

Temos um histórico ruim contra vacinas. A Revolta da Vacina, quando houve o combate à febre amarela espalhada pelos mosquitos e a peste bubônica, pelos ratos, mostrou o quanto os brasileiros temiam a vacina. Cem anos depois, ainda temos uma resistência irracional em relação à vacina contra a Covid-19 e não se limita ao brasileiros, mas é difundida por quem acredita em teorias de conspiração. A melhor é que a vacina irá introduzir nanorobôs no organismo, que transmitirão os dados pessoais para a nuvem, de onde Bill Gates irá controlar todos. Fico pensando como chegaram a essa conclusão, mesmo os "médicos" e "cientistas" que acreditam nessa insanidade. 

O organismo precisa evoluir para poder se defender de um vírus que foi criado para matar. Aí, sim, é a guerra biológica em ação, pois ninguém me explica de onde esse vírus surgiu, senão por meio de fabricação humana, como foi a Aids, que também ataca o sistema imunológico. Pode ser sandice, mas há possibilidades. Vai passar à história como as teorias para explicar o assassinato de Kennedy ou o ataque ao World Trade Center, sem que ninguém diga a verdade. Só há suspeitas.

A humanidade precisa crescer. Continua tão egoísta e autocentrada quanto na Grécia Antiga. 

No mesmo 6 de janeiro, Dia da Epifania, em que chegávamos à aprovação da vacina contra Covid-19 no Brasil, nos EUA, uma multidão, instigada por Trump, atacava o Capitólio, invadindo e depredando o que encontravam pelo caminho. Em mais de 200 anos, foi a primeira vez que cidadãos americanos fizeram isso. O último ataque, em 1814, foi feito pelos ingleses, na chamada Guerra Anglo-Americana de 1812, que os britânicos venceram e foram embora, sem retomar a colônia. Afinal, o problema não era uma questão de domínio, mas, sim, comercial. Resolvida a questão, voltaram para sua ilha na Europa e não se falou mais nisso. Mas o Capitólio foi parcialmente destruído pelo incêndio e o Palácio do Presidente, como era chamado, ficou inteiramente queimado, e o que restou foi demolido para se construir, finalmente, a Casa Branca. O Capitólio ganhou uma restauração e outras partes foram acrescentadas ao prédio, que somente foi concluído em 1935. 

O que tem isso a ver com a Covid? Tudo. Pois, em vez de cuidar da pandemia, o presidente americano queria subverter a ordem e declarar a eleição nula, ou melhor, dar ganho a ele. Para isso a multidão invadiu o Capitólio, sem respeitar distanciamento nem usar máscaras. Afinal, eles são os fiéis seguidores de Trump, que transformou o Partido Republicano no "seu" partido. E os EUA têm a maior marca de mortes e contaminação da pandemia no mundo. São 22 milhões de casos, mais do dobro da Índia, que tem mais de 10 milhões, e quase 4 vezes mais que o Brasil, que tem 8 milhões de casos. Nos EUA, eles estão chegando a 370 mil mortos, seguido pelo Brasil, que está com 201.460 mortos. A Índia, em terceiro lugar, está com 150.570 mortos.

Nada poderia ser mais vergonhoso, até o próximo escândalo do Sr. Trump. Ele sempre consegue se superar. Joe Biden, seu sucessor legítimo, só se preocupa com a pandemia que devasta o país e em recuperar a economia americana. O presidente norte-americano deveria ter sido o campeão contra a Covid-19. Mas não foi. O próximo será. E dará seu exemplo, como fizeram a primeira-ministra da Islândia, Katrin Jakobsdóttir, a da Nova Zelândia, Jacinda Ardern e a chanceler alemã, Angela Merkel, não por acaso, todas mulheres. 

Eu torço e espero que a vacina venha calar a boca dos que a amaldiçoam. A política e, mais recentemente, a pandemia, nos mostraram quem são nossos inimigos, quem são os seres humanos que nos cercam. Temos a sensação de que sairemos melhores da pandemia? Não. Já éramos bons. Mas quem não era, não se tornou melhor, ainda. Dizem que a esperança é a última que morre, sim, porque morre por último, depois que todos já morreram. Queremos uma sociedade melhor, com pessoas melhores, mas a vida é uma guerra constante contra malfeitores, interesses escusos e indivíduos perniciosos. E eles sempre estarão à nossa volta, e nós, sobrevivendo a eles. 

Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 2021 - 13h

Thereza Christina Rocque da Motta  



Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lições da pandemia 7: 300 mil mortes, 100 mil casos e 3.650 mortos num dia

Lições da pandemia 8: É preciso não aumentar os nomes dos mortos

Lições da pandemia 1: 100 mil mortos por Covid-19 no Brasil