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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Lições da pandemia 4: Ser ou não ser - quem é você

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Começamos o ano como outro qualquer. Ao terceiro mês do primeiro semestre, descobrimos que tínhamos sido roubados. Perdemos a liberdade de ir e vir, de nos reunir, de viajar, de sair e passear. Esperamos, inutilmente, que houvesse uma saída, uma explicação, uma mudança de cenário.  Em agosto, descobrimos que não. Chegamos a 100 mil mortes sem que nada mudasse. Passou o primeiro semestre sem podermos sair de casa, porque as mortes continuavam aumentando. E daí aconteceu o inexplicável.  Não sei em que momento os cariocas decretaram o fim da quarentena, do confinamento e da pandemia. Para eles, não tinha dia ruim. Foram todos para as praias, os bares e encheram as ruas. Quem continuava em casa não entendeu. Mas eles diziam que tinham que voltar à vida normal. Tá bom. De máscara.  Só que não. Chegamos ao fim do ano com quase 200 mil mortos. Em quatro meses, quase dobrou. Vamos começar o ano de 2021 com esse número nos dando as boas-vindas. Não esqueço que outras doenças tamb...

Lições da pandemia 3: 2020, o ano em que ficamos em casa

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Quando 2020 começou, eu queria que tudo fosse como no oculista: 20/20. Cheguei a desejar isso para os amigos de Facebook. Em março, tudo descambou e não podíamos mais sair de casa. Todos os planos foram adiados e passamos a curtir uma quarentena. Quarenta dias depois, vimos que ela teria de continuar por mais 40 dias. Em junho, minha prima me disse que eu saísse de casa, e não tivesse medo. Foi o que todo mundo fez. O confinamento estava cancelado. Todos voltaram às praias e aos bares, às muretas da Urca, e a vida seguiu como se não tivesse amanhã. Eu fiquei seis meses confinada. Saía uma vez só por mês para pintar o cabelo e só. Os cabeleireiros estavam fechados, então a cabeleireira atendia uma a uma as suas clientes para não perder a freguesia. Em setembro, achando que já poderia circular um pouco, fui à feira e lá a Covid me pegou e tudo virou de cabeça pra baixo.  Doente não tem bom senso. Perde todas as estribeiras. Não fui internada, mas fiquei um bocado zangada por ter cont...

Lições da pandemia 2: Quando a Covid-19 atacou

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Abro o jornal todos os dias à procura de notícias que amainem a ansiedade que desde o início do ano nos consome. Em 13 de março, começamos uma quarentena que se estende há nove meses. Durante seis meses não saí de casa para nada. Iam à rua por mim, para trazer comida, buscar o que quer que fosse que precisássemos. Seis meses depois, achei que poderia também ir à rua, uma vez que já havíamos aprendido os códigos de proteção, máscara, álcool gel, álcool líquido 70% para pulverizar depois que voltássemos para casa. E o que aconteceu? Covid.  Quinze dias depois de ir à feira buscar frango, legumes e frutas e rever os amigos feirantes, passei o dia sentindo uma dor no corpo que só aumentava. Pensei até que fosse o sutiã me apertando demais e soltei a parte de trás. O tempo foi passando e a dor aumentando. À meia-noite, eu urrava de dor, nas costas, nos braços, no peito, nas pernas, e mal conseguia me mexer. Parecia que estava sendo esmigalhada, prensada por mãos enormes. Tive ânsia de v...

Lições da pandemia 1: 100 mil mortos por Covid-19 no Brasil

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Aos 100 mil mortos por Covid-19, não sabemos onde isso nos levará. Hoje tive um sonho distópico. Explicavam-me passo a passo como seria essa nova realidade. Embora eu não me lembre nem um pouco do que foi dito, meu sonho tinha sensação de realidade. Tínhamos que se seguir certos "protocolos". Ninguém estava livre de contágio. Ninguém podia fazer o que lhe desse na cabeça. O momento era plúmbeo. Embora uma voz me dissesse tudo o que eu deveria fazer, eu ainda tentava compreender o que estava acontecendo.  Meu esforço foi em vão. Acordei pensando que não tinha sonhado. Que tinha tido uma visão de futuro. Mas que visão era essa que eu não conseguia entender? O subconsciente submergiu novamente sem me dizer mais nada.  Há mistérios que são insondáveis. Há momentos que são inesquecíveis. Vivemos mais quando estamos atentos e ao mesmo tempo distraídos. Sabemos sem saber. E ao perceber que tudo está dando certo mesmo em meio ao pandemônio, entendemos que nada foi inútil ao longo do ...